Nunca fui de guardar datas. Tento lembrar o dia em que decidi me tornar fotografo, não consigo. Tento achar algum bilhete, recibo de revelação, nota fiscal de câmera, todo esforço é em vão.
Não sei o que me levou a trilhar esse caminho, foi uma escolha repentina e definitiva, como um disparo de obturador. Não fiz outra coisa da minha vida nesses dez anos que não fosse ligada ao mundo das imagens.
Lembro, com saudades, quando comprei um ampliador p&b, as bacias para químicos, termômetros e papeis. Saia de casa com dois ou três filmes p&b, sem rumo. Um turbilhão de idéias, desejos e sonhos se condensavam em forma de uma terrível, mas prazerosa, ansiedade. Em cada fotograma, um alivio. Minha câmera sempre foi uma tesoura e a realidade um grande pôster ilustrado.