A morte dos pequenos retângulos
Um cheiro ruim de químico suspenso no ar, quente e denso. A luz vermelha, fraca e já toda empoeirada, sempre passava despercebida nos dias de limpeza. O som, cheio de ruídos, do velho rádio, que não conseguia extrair som nem das ultrapassadas fitas K7, só restavam as rádios, não mais que cinco estações.
A bancada de madeira, toda manchada de revelador e fixador, no canto direito ficava o velho ampliador, as marcas de ferrugem já brotavam. As bandejas não escondiam as marcas do químico. Só percebi o quanto esse espaço era insalubre, quando acabou. Talvez, por que nunca tivesse ficado ali, quando a porta fechava e luz vermelha acendia, meus pensamentos voavam. Voavam no compasso que as imagens iam aparecendo e depois se fixando, como se revivesse cada momento fotografado, cheiros, vozes, olhares, medos, alegrias, raiva, espanto, sentia tudo novamente em preto e branco.
Sinto saudades do velho laboratório P&B, sinto saudade das fotos que eu fazia, eram como um espelho. Em cada pequeno retângulo de celulose existia um pedaço de mim...