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Fotografias e ... - photoblog de Sérgio Ranalli
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:: Sexta-feira, Outubro 31, 2003 ::

Foto Sergio Ranalli/Folha de Londrina








:: SÉRGIO RANALLI 12:29 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Outubro 30, 2003 ::
Foto Sergio Ranalli/Folha de Londrina

Atleta se preparando para treino
:: SÉRGIO RANALLI 12:18 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Outubro 22, 2003 ::

Fragmentos de Vida no Cárcere

Fotos e texto © Sérgio Ranalli


Diante daquela porta de aço maciço, meu corpo dava sinais das sensações e sentimentos que percorriam a mente. Mesmo sabendo que na volta não encontraria resistência para que a porta fosse aberta, relutava para dar alguns passos à frente. Pouco segundos depois de cruzar aquela linha divisória de mundos distintos, escutei um som seco, e a luz que já era pouca se tornou rara. Minhas pernas ficaram ainda mais trêmulas, meu coração acelerado, um suor frio insistia em brotar das minhas mãos. Fiquei alguns segundos, que pareceram uma eternidade, cabisbaixo com medo encarar um mundo que desconhecia.
Quando levantei a cabeça e comecei observar, cheguei à conclusão que ali uma outra lógica regia a vida daquelas 34 presas. Naquele espaço escuro e úmido, no qual vozes ecoam secas como o som do aço que cerca sonhos, lembranças, desejos e vontades, existe um outro mundo.
Prestes a completar 40 anos, presa por tráfico de drogas, artigo 12 do código penal, X conta como veio parar na cadeia: ¿Eu caí no mundo, vi que era fácil e permaneci, só que essa vida só é fácil para quem está lá fora, pois no momento em que esta porta bate nas costas da gente está tudo acabado, aí não tem mais regressão de nada, de nada.¿
X é uma pessoa articulada, fala com desinibição. Talvez tenha adquirido essa qualidade nos anos em que esteve presa, graças às várias conversas com advogados e interrogatórios diante de juízes e promotores. Dois dos três filhos de X estão presos; um é assaltante e outro foi preso junto com ela acusado de tráfico.¿Eu nunca ensinei nem meus filhos nem meus netos a fazer o que eu faço. Foi um desespero meu¿.
Na cadeia existe uma linguagem peculiar, muitas vezes inacessível para os que estão do lado de fora. Os crimes não têm nomes, mas sim números dos artigos do Código Penal. Eufemismo? Talvez, afinal 12 soa melhor aos ouvidos que tráfico de drogas. Aliás, números parecem marcar as vidas dessas mulheres, que representam apenas números para a fria estatística da população carcerária nacional. Para quem está do lado de fora só interessa o número de dias em que ficarão reclusas. Elas sabem o número exato de dias que faltam para sair dali. Algumas preferem esquecer o tempo que já passaram presas, mas tem aquelas preferem deixar cicatrizes nas paredes, como se estivessem se vingando das marcas que aquele tempo perdido deixou em suas vidas. Um risco ao lado do outro, numa simetria perfeita, similar à sombra que as grades projetam em seus olhos. ¿Aqui a gente faz tudo. Só não faz a liberdade surgir lá fora¿. A noção que temos da passagem do tempo não é mesma que elas têm. A luz é pouca, insuficiente para que se possa supor o horário. Os hábitos que marcam as horas ali inexistem, e as refeições são o maior referencial.
Naquele pequeno e insuportável mundo de oito metros quadrados, X é uma rainha. É ela quem manda naquele pedaço de realidade, é quem dita o ritmo das coisas, quem faz a limpeza, afinal ali a casa é dela; as outras estão apenas de passagem num mundo que infelizmente lhe pertence. ¿Eu não aconselho ninguém que tiver a mínima oportunidade lá fora, em liberdade, vim parar num lugar desses porque aqui a gente se sente como um animal¿.
¿Eu já passei três anos numa penitenciaria, já passei por várias cadeias. Hoje estou aqui com oito meses fechada, artigo 12 todas as vezes, todas as vezes¿. X olhava nos olhos, olhava como quem já não tem mais nada a esconder. Com uma sinceridade visceral, destoava da recorrente afirmação de inocência das outras presas. Não falava em futuro, como se os sonhos e planos estivessem cercados pelas celas do arrependimento. O passar vagaroso dos dias parecia ditar o ritmo de sua vida; parecia ter perdido a noção do tempo em meio aquele emaranhado de ociosidade. A sensação de alguém não vislumbrar o futuro, não fazer planos, não ter sonhos me incomodava. Numa cadeia, este é o leitmotiv na caminhada pela tênue linha que separa vida e morte.
A resposta viria somente mais tarde: os netos. ¿Eu quero que eles comecem como eu comecei, mas não desanimassem e levassem a vida a sério e honesto lá fora. Não adianta ter estudo, ter popularidade lá fora, pois tudo isso eu tive e perdi no momento em que essa porta bateu nas minhas costas. Então é para não dar o primeiro passo no mundo da malandragem. Por que depois do primeiro passo dado é só correr, correr da polícia, correr da justiça, porque o mundo do crime é isso¿.

:: SÉRGIO RANALLI 9:10 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Outubro 21, 2003 ::
Fotos© Sérgio Ranalli/ Folha de Londrina

:: SÉRGIO RANALLI 12:52 PM [+] ::
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Fotos© Sérgio Ranalli/ Folha de Londrina

:: SÉRGIO RANALLI 12:50 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Outubro 14, 2003 ::

Tio, mataram quantos?

Sérgio Ranalli
Pouco mais de um metro e meio, olhos grandes, claros, brilhantes, seu olhar era capaz de misturar malandragem e inocência de quem vive num pequeno pedaço de inferno. Pele morena, cabelos curtos e encaracolados, com uma camisa toda puída de cor camuflada pela sujeira, assim como sua bermuda. Seus pés, descalços.
Sua idade, talvez oito anos, mas sua maturidade é incompatível com seu pouco tempo de vida, típico de quem é obrigado a encarar logo cedo o lado obscuro da vida.
A paisagem assusta. Ao redor do pequeno rebento, barracos, os quais cálculos de um engenheiro civil são incapazes de explicar como permanecem de pé em meio a tanta precariedade. Madeiras velhas, podres, de cores diversas, salpicadas de sujeira, chão batido. Cobertos pelas mãos de Deus auxiliadas por plásticos rasgados, chapas de lata velha ou restos de telha. Um ao lado do outro, na insuportável simetria da miséria.
Ao erguer os olhos, a paisagem mudava. Um punhado de metros era capaz de expor a opulência e esconder a dignidade, um bairro de classe media alta. Observando por alguns segundos a reação do rebento, era fácil perceber a realidade que observada ao erguer os olhos, chocavam mais que a miséria na qual estava mergulhado. A fome doía menos que a desigualdade.
Tiros, choro, gritos, drogas, medo. Medo? Não, a realidade, uma overdose narcotizante na mente daquela pobre alma.
A surpresa acontece quando as janelas não servem de palco para o espetáculo do horror e morte no cotidiano daquela fatia de inferno. Quando o rebento é surpreendido por um carro de reportagem, na entrada da favela, ele pára e pergunta sem espanto - Tio, mataram quantos?.


:: SÉRGIO RANALLI 9:12 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Outubro 10, 2003 ::
Fotos© Sérgio Ranalli/ Folha de Londrina

:: SÉRGIO RANALLI 1:41 PM [+] ::
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:: Domingo, Outubro 05, 2003 ::
Mais cenas de calor.......

Fotos© Sérgio Ranalli/ Folha de Londrina





:: SÉRGIO RANALLI 1:31 PM [+] ::
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Cenas de Calor...

Fotos© Sérgio Ranalli/ Folha de Londrina











:: SÉRGIO RANALLI 8:43 AM [+] ::
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